QS




Não sei se cheguei a comentar aqui algo sobre meu comprometimento com as competições esse ano. Apesar de não gostar muito de ficar assim falando e escrevendo diretamente sobre mim vou deixar isso um pouco de lado nesse texto.

Por acreditar numa carreira que chamamos de Surfista Profissonal tomei algumas decisões que causaram tanto estranheza quanto satisfação para alguns que me acompanharam. Competidor ou freesurfer são categorias inventadas por repórteres e jornalistas para tentar classificar o foco que certo Surfista Profissional escolheu para si e no meu caso, não me apetece nenhum desses rótulos para me descrever profissionalmente muito menos para esclarecer o que me move e quais são meus objetivos.

Se meu foco profissionalmente for voltado a competição, não deixo de ser surfista para me tornar “competidor”.

Se trabalho com fotógrafos e videomakers para produzir material voltado a midia, isso não me transforma num “freesurfer”.

Não estou aqui para tentar mudar o que já foi estabelecido ou tentar criar uma nova forma de profissionalismo, estou aqui dividindo o meu ponto de vista.

E minha vida é de Surfista Profissional.

Arte, harmonia, beleza, trabalho, competição, profissionalismo, decepção, solidão, seriedade, ética e muitos outros atributos caminham juntos dentro dessa profissão e cada atleta faz da sua carreira o que acredita ser melhor e mais condizente com suas capacidades.

Eu acredito numa carreira plena, sem rótulos, explorando tudo que pode se relacionar ao surfe e buscando sempre melhorar tecnicamente como um surfista completo, procuro manter a mente aberta e cultivar a criatividade.

Apesar de todas as falhas, injustiças e deficiências naturais que nossa atividade encontra dentro de um cenário competitivo, a competição não pode ser ignorada.

Dentro dos moldes competitivos atuais, quero me esforçar e dar o máximo de mim para conseguir meu lugar entre os melhores do mundo. Atualmente dentro do cenário competitivo, nenhum outro lugar me interessa. Se não acontecer, sem problemas, mas agora é um bom momento e farei o máximo acreditando que tenho condições.

Fora esse pequeno, mas importante, mundo da competição, existe um universo enorme que se espalha em diversas direções e que quero explorar até onde minha capacidade permitir.

A competição é uma parte muito pequena desse universo e acredito ser um grande disperdício gastar toda motivação e talento buscando unicamente algo tão superficial.

Mas apesar de ser uma parte pequena quando comparada ao todo, a competição hoje tem um peso muito grande profissionalmente e representa muita coisa dentro desse universo.

Tenhos sim um período determinado internamente para batalhar no circuito mundial, mas não tenho nenhuma certeza absoluta portanto posso mudar e me adaptar conforme os resultados forem acontecendo.

A única afirmação que posso fazer é que sou Surfista, profissional.


Deixo aqui uma frase que pode traduzir um pouco desse blá blá blá:


“Trying and giving up go hand in hand. But it’s trying that deserves the attention of our will. Giving up is just breathing out. Breathing in is the one we need to remember to do. Breathing out naturally follows. The important thing is just to keep breathing.”


" Tentar e desistir caminham lado a lado. Mas é a "tentar" que merece a atenção de nossas intenções. Desistir é como expirar. Inspirar é o que precisamos nos lembrar de fazer. Expirar segue naturalmente. O importante é continuar respirando"


John Frusciante




QS






Curral, ontem a tarde.

Foto: Aleko Stergiou



QS











É um milagre!
Consegui subir as fotos!



QS


Estou aqui em Paracuru - CE para o QS 6 estrelas que rola aqui essa semana.
O mar continua flat, o calor ainda esta na faixa dos 37 graus, o campeonato continua parado e por causa da velocidade da internet não consigo postar nada aqui. Tenho fotos e vídeos mas por causa da conexão nada sobe aqui no blog.
Vou continuar tentando, mas se esse texto subir já vai ser um grande avanço!
Pra vocês terem uma idéia, a página do uol demora mais de 2 minutos p abrir aqui.

Até mais (se essa internet permitir)

Frames #243 novembro








A idéia era sair de San Diego e ir direto para o “Little Inn By The Bay” em Newport Beach, mas ao invés de pegar a estrada o Tom decidiu guiar pelas avenidas que contornavam a costa e como não tínhamos hora pra chegar, poderíamos curtir a tarde que ia caindo num ritmo tranqüilo e de cor avermelhada.

Restaurantes, casas, postes vão se acendendo e os últimos e mais fissurados já saíram da água e estão se trocando nos estacionamentos que acomodam os carros dos surfistas locais. Entre um semáforo e outro vamos conversando sobre os mais variados assuntos, rindo, discutindo e enquanto um troca a música que dá o tom para a barca o outro puxa a fita das pranchas amarradas ao teto do carro para tentar parar o zumbido pertinente. Logo o assunto morre e cada um foge para sua janela entrando no próprio mundo e viaja pra longe assistindo a paisagem que passa a sessenta quilômetros por hora.

De repente um grito que vem do banco do passageiro me desperta daqueles pensamentos como se eu fosse acordado por uma sirene de incêndio. –“Espera aí, espera aí, volta!”

Virei a cabeça pra onde o Lique apontava e vi uma vitrine de uma loja enorme exibindo as últimas novidades das maiores marcas de surfe do mundo. Mais uma das megastores de surfe californianas, tentação irresistível. Pegamos o retorno no próximo quarteirão e logo estávamos no sentido contrário indo direto para o estacionamento.

Quando estávamos quase chegando naquela “Casas Bahia” dos sonhos uma casinha de muros brancos e portas abertas no quarteirão anterior nos chamou a atenção. Logo a frente do conversível (mais velho que eu) que estava estacionado na calçada, um letreiro de madeira dizia: “Mitch’s Surfshop”.

Além do nome, o único sinal de que aquilo se tratava de um estabelecimento comercial de surfe eram as roupas de borracha usadas que estavam em liquidação e estavam penduradas do lado de fora da casa.

Foi unânime a decisão de encostar o carro e descobrir o que havia naquele lugar tão aconchegante e que parecia respirar surfe.

Na entrada uma loirinha de uns dezoito anos pendurava algumas camisetas de volta no lugar enquanto o que parecia ser seu irmão mais velho nos dava as boas-vindas de trás do balcão.

Ao percorrer o pequeno espaço da loja em que ficavam a maioria dos produtos, percebemos que éramos os únicos clientes na loja e nós quatro já quase lotávamos o lugar somados aqueles dois funcionários que começavam a prestar a tenção no nosso estranho idioma. Enquanto eu olhava alguns leashes, Tom e Diogo piravam nas camisetas que estavam dobradas sobre um expositor de madeira. Sai da sessão de equipamentos pra checar a pilha de filmes de surfe que estava no balcão e enquanto ia procurando algum lançamento que ainda não assisti, ouço o Lique me chamando lá do fundo da loja.

-“Juniooor, chega aqui vem ver isso!”

Andei alguns metros e fui de encontro ao chamado que vinha de um cômodo escondido no fundo da loja. Entrei numa sala colorida, mas não pela cor das paredes, e sim pelas pranchas novinhas de todas as cores que preenchiam todo aquele espaço dando um perfume nostálgico de resina fresca ao lugar.

Todos os tamanhos, cores, número de quilhas e acabamentos que eu podia imaginar estavam ali; bonzers, longboards, biquilhas, quadriquilhas, fishes, monoquilhas, simmons, com canaletas, laminadas, rabetas swallow, round, squash, tinha tudo e mais um pouco.

Foi aí que um moleque de mais ou menos dezesseis anos apareceu do fundo da loja e nos disse com um sorriso no canto da boca: “Yeah those guys next door have all the regular stuff, we’ve got the good stuff!”

Devia ser o irmão mais novo e o terceiro funcionário da loja nos dizendo em poucas palavras tudo que aquela lojinha siginificava.

Fui passando por cada rack e puxando com cuidado os modelos que mais me chamavam atenção, curtindo cada curva daquelas esculturas de poliuretano e fibra de vidro. Christenson, Donald Takayama, Campbell Bros, Skip Frye e até alguns shapes do Joel Tudor estavam ali lado a lado esperando o dia de entrar na água.

Nem vimos o tempo passar enquanto vibrávamos a cada nova descoberta, curtindo a textura e as linhas que cada uma daquelas pranchas exibiam, imaginando como seria ter um daqueles shapes embaixo do pé.

Só saímos quando já tínhamos visto todos os modelos duas vezes e mesmo assim não consegui eleger a melhor de todas.

Diogo e Tom levaram algumas camisetas para o balcão enquanto eu pagava por um leash e o Lique passava o cartão de crédito para pagar mais um boné. (Ninguém tinha mil dólares pra gastar numa daquelas pranchas, quem sabe na próxima.)

O irmão mais velho e gerente da loja que nos entregava o troco estava empolgado falando sobre o próximo swell. Queria saber quanto tempo ficaríamos na Califórnia e de que parte parte do Brasil viemos, mostrando uma simpatia que poucos americanos costumam ter ele continuou puxando conversa até desejar-nos boa sorte e enfim nos despedimos.

Entramos de volta no nosso carro e percebemos que a noite já escurecia toda a cidade e ainda tínhamos um bom caminho pela frente. Pegamos a avenida novamente e só nos demos conta de que não havíamos entrado naquela loja gigante que primeiramente nos chamou a atenção, quando paramos no sinal ao lado dela. Ninguém se pronunciou dessa vez e seguimos direto para nosso próximo destino.

Nossa viagem pela Califórnia durou cerca de dez dias e conhecemos muitos lugares interessantes, mas no final da trip ao recordar o que mais me marcou sobre o espírito do surfe californiano foi essa experiência naquela pacata surf shop. Dizem que se você entra numa loja e não vê nenhuma foto do pico local quebrando clássico, alguma coisa está errada, e posso dizer que isso é verdade.

Mesmo na Califórnia onde tradição e modernidade se encontram todos os dias, as pessoas guardam um respeito enorme pelo estilo de vida que levam e que herdaram de gerações anteriores. Vi o pôr-do-sol em San Onofre ao lado de uma família que havia acabado de sair da água e bati braço no crowd de Huntington Beach. Mas em qualquer desses lugares pude sentir a verdade, honestidade e respeito com que o surfe é tratado.

Você pode ter a maior loja do mundo, fazer rios de dinheiro e achar que esta vendendo o “lifestyle” do surfe para o mundo inteiro, mas surfe não cabe em nenhum saco plástico, não se imprime em etiqueta e não se compra no supermercado.

Por mais que você tente, por melhor que você seja e por maior que seja o saldo na sua conta bancária, nunca irá conseguir colocar água salgada na veia e muito menos entender o que é o nosso estilo de vida.

Infelizemente no nosso país alguns dos que estão envolvidos no mercado não trazem essas qualidades e sugam como parasitas os recursos do esporte buscando apenas lucratividade, sem retribuir de nenhuma forma o que conseguem as custas dessa arte.

Mas aos que continuam com o coração no lugar certo e mantém o respeito e honestidade no que fazem, fica aqui minha sincera admiração e meu humilde agradecimento.

Espero que esse texto seja um pequeno suspiro de renovação para continuar na luta assim como essa pequena viagem foi pra mim.




Bom Dia






Guarujá, 11/01/2010, 6:12 am.

Graças ao fuso horário, não dormi depois das 3 am.


T26






Tomando forma...



Quiver Hawaii






Foram elas que me ajudaram nos últimos dois meses por aqui...
Da esquerda pra direita:
7'0
6'8
6'0
8'2
7'6
6'0
5'10 (biquilha)
6'8 (acima)
6'10 (embaixo da 6'8)
7'9 (acima)
7'1 (abaixo da 7'9)
6'10 (mono)

Agora já estão todas guardadas, algumas ficam por aqui e outras voltam comigo.
Para as maiores, até ano que vem. Para as que vão comigo, boa sorte e espero encontra-las inteiras lá do outro lado.


Imagem: Ithaka




Baía da Tartaruga




























Muito vento no North Shore e uma ondulação que não funciona tão bem em outro lugares, fazer o que?...
Algumas vezes quando não esperamos muito de uma situação somos mais facilmente surpreendidos com o resultado, são as boas surpresas que vem das coisas simples e que nos levam a revisar certos conceitos. Talvez seja papo da ressaca de ano novo ou um ponto de vista esquecido...
Hoje saimos sem direção, paramos no posto sem pressa, sem se preocupar com o vento e nem com o tamanho das pranchas (aliás, nosso quiver hoje foi bastante reciclável). Ninguém botou toalha no fundo pra não pegar parafina e não estavamos muito preocupados com técnica, treino, repetição, acerto ou erro. Fomos surfar.
Trocamos de prancha dentro d'água, demos risada, ouvimos música no carro e matamos a fome depois do surfe com o pé cheio de areia.


Créditos das fotos: Bruno, Eu.

Breves considerações:
Uncle Daniel: obrigado por emprestar os tocos mesmo sem saber que pegamos emprestado.
Bruno: obrigado por passar as últimas horas editando as 284 fotos do dia.
Cauê: parabéns pela manobra mais inovadora do dia, a bananeira. Mesmo com o boardslide no corrimão na briga!
Foto nº 10: não é nenhum surto psicótico, apenas amaciando a danada pra ir botando pé no estilo Jackie Chan versus Lacraia.





Ta Saindo








Telus mandando ver na arte, ta saindo!


Feliz Ano Novo





É assim que quero meu 2010, desejo o mesmo a todos vocês.

Em Breve







Os queridos amigos do Grupo Sal anunciaram na página deles a produção do meu filme entitulado "Eu Mesmo Faria", algumas fotos que serão usadas na arte também estão disponíveis na postagem que traz um texto introduzindo o conceito do filme.
Em breve mais informações!
(Grande abraço ao Telus, Selha e Bruno Espiga que com muita paciência estão trabalhando comigo nessa reta final.)

Para ler o post salgado, clique aqui.







Ty Williams

(clique aqui para entrevista na saltmagazine.com)


Mele Kalikimaka









Swell de Natal, Waimea.

(Valeu Jê! A prancha é demais, e saiu inteira.)

Crédito das fotos: Ithaka



Jeremy Asher Lynch




"A Fly on the Wall" Jeremy Asher Lynch from Jeremy Asher Lynch on Vimeo.




Feliz Natal









Ráuai










Inspire









Coleção Moderna










Fui lá e comprei o tão esperado Modern Collective, agora o próximo passo é vender todas as pranchas e parar de surfar.
Só vendo mesmo pra crer.
Só não dá pra acreditar na trilha disco-bicha-elétrica-calça-apertada-brilhosa que o Kai Neville botou, na verdade já era de se esperar depois do Stranger Than Fiction.
Mas nem isso tira o Modern Collective do número UM dos filmes high performance.
E agora José?





Um Certo Estilo de Vida



"... Most of it is very fake, all the clichés are true. In a short time and in all the travels I made I've seen it all. But sometimes you can get lost in it and you live in this fantasy world where everything around you is magical and you feel on top of the world. Then you wake up and realize that nothing really means anything, that is not important at all and it's shallow."


"... Grande parte é falsidade, todos os clichés são verdadeiros. Em pouco tempo e em todas as viagens que fiz vi de tudo. Mas as vezes você se perde e vive num mundo de fantasia onde tudo é mágico e você se sente no topo do mundo. Depois você acorda e se dá conta de que na verdade nada tem significado, que não tem importância e é vazio."